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A Ultragenyx anunciou nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, os resultados do estudo clínico de Fase 3 Aspire, que avaliou o GTX-102 (apazunersen) como possível tratamento para a síndrome de Angelman.
O anúncio traz um resultado negativo para os principais objetivos do estudo: o Aspire não atingiu seu desfecho primário, que avaliava a mudança no escore bruto de cognição do Bayley-4, nem o principal desfecho secundário, o Multidomain Responder Index (MDRI), índice desenvolvido para avaliar respostas clinicamente relevantes em múltiplos domínios relacionados à síndrome de Angelman.
O que era o estudo Aspire?
O Aspire foi um estudo internacional, randomizado, duplo-cego e controlado por procedimento simulado, que incluiu 129 crianças e adolescentes de 4 a 17 anos com síndrome de Angelman causada por deleção materna completa do gene UBE3A.
Os participantes foram distribuídos entre o grupo que recebeu GTX-102 e o grupo controle, que passou por um procedimento simulado. O período principal de avaliação foi de 48 semanas.
O GTX-102 é um oligonucleotídeo antissenso (ASO) desenvolvido para atuar sobre o RNA antissenso do UBE3A (UBE3A-ATS), buscando aumentar a expressão da cópia paterna do gene UBE3A nos neurônios.
O principal objetivo do estudo era verificar se o tratamento produziria melhora na cognição, medida pelo Bayley-4. O MDRI, por sua vez, procurava identificar uma resposta clinicamente relevante considerando diferentes áreas afetadas pela síndrome, incluindo cognição, comunicação, comportamento, motricidade e sono.
O que a Ultragenyx informou?
Segundo a empresa, os resultados do Aspire não demonstraram diferença estatisticamente significativa entre os grupos nos dois principais objetivos avaliados: a mudança no escore cognitivo bruto do Bayley-4 e a resposta no MDRI.
A Ultragenyx também informou que o perfil de segurança observado no Aspire foi consistente com o que havia sido observado anteriormente nos estudos de Fase 1/2, sem que o comunicado apontasse um novo sinal de segurança que modificasse esse perfil.
O resultado é particularmente relevante porque o Aspire representava uma etapa fundamental do desenvolvimento do GTX-102 e havia sido desenhado para fornecer evidências de eficácia em uma população pediátrica específica de pessoas com síndrome de Angelman.
E o que acontece agora?
É importante destacar que um resultado negativo em um estudo clínico não significa o fim da pesquisa por tratamentos para a síndrome de Angelman.
O desenvolvimento de terapias para uma condição neurogenética complexa como a síndrome de Angelman envolve diferentes estratégias, mecanismos de ação, populações de pacientes e formas de medir possíveis benefícios clínicos. Atualmente, existem outros programas terapêuticos em diferentes estágios de desenvolvimento, além de novas pesquisas buscando compreender melhor quais medidas são capazes de capturar mudanças significativas na vida das pessoas com a síndrome.
Também é importante lembrar que o estudo Aspire avaliou uma população específica: crianças e adolescentes com deleção materna completa do UBE3A. Outros estudos da própria Ultragenyx, como o Aurora, foram desenhados para investigar o GTX-102 em diferentes faixas etárias e genótipos. O Aurora inclui participantes com outros mecanismos moleculares da síndrome de Angelman.
A Angelman Brasil continuará acompanhando as próximas informações divulgadas pela Ultragenyx e pela comunidade científica e compartilhando com as famílias, profissionais e demais interessados informações confiáveis sobre os avanços das pesquisas clínicas.
A ciência também avança por meio dos resultados que não confirmam uma hipótese. Cada estudo contribui para ampliar o conhecimento sobre a síndrome de Angelman e para orientar os próximos passos na busca por tratamentos que possam fazer diferença na vida das pessoas com a síndrome e suas famílias.
📄 O PDF do comunicado oficial da Ultragenyx, em inglês, está disponível para download acima deste texto.